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Proibida a propaganda dirigida a crianças

No dia 9 de julho, quarta-feira, a Comissão de Defesa do Consumidor aprovou proposta que proíbe qualquer tipo de publicidade e de comunicação mercadológica dirigida à criança. A proibição se extende a todos os horários e todos os suportes de mídia, sendo produtos ou serviços relacionados a crianças ou ao público adolescente e adulto. Para resumir, a publicidade de qualquer produto ou serviço deverá ser dirigida apenas para o público adulto. Para informações mais detalhadas sobre as características da proibição segue o link da matéria no portal da Câmara dos Deputados.

O texto de Maria do Carmo Lara (PT-MG) determina
que a propaganda deve ser dirigida a adultos.

Eu não sei se eu penso assim por que essa lei me afeta diretamente. No meu ponto de vista essa Lei é um completo absurdo. E mesmo no que essa lei se propõe (defender as crianças das ameaças abusivas da propaganda na TV) ela é totalmente falha. Falha, penso eu, porque partindo do princípio que as crianças não deixarão de ver televisão, ao invés da criança ficar exposta à propoganda infantil, agora ela sofrerá os efeitos muito mais nocivos da propaganda dirigida a adultos.

Há tempos que a publicidade é bode espiatório para todos os males desse país. O capitalismo sempre é responsável por todos os problemas. Eu sou estudante de publicidade e em apenas 3 anos no ramo estou cansado de responder às perguntas de como é que eu posso conviver com uma profissão que “manipula” as pessoas a comprar compulsivamente como se elas não tivessem discernimento daquilo que é bom ou não para suas vidas. Para muitos os publicitários são praticamente advogados do diabo.

É fácil culpar uma profissão e seus profissionais pelos diversos problemas que tem feito desse pais uma vergonha desde seu “descobrimento”. Os exemplos que passamos através de nossa publicidade ‘transforma’ as pessoas em amebas consumistas, sem opinião própria. Ridículo..

Mau exemplo sim é vermos todos os dias esquemas de corrupção na televisão, policiais imbecis cometendo atrocidades como se fossem foras de lei. Médicos acusados de negliência, errando pifiamente o diagnóstico. E quando precisamos deles, juizes e legisladores, heróis da nação, únicos que podem efetivamente fazer alguma coisa para mudar essa situação, se omitem, não punem os infratores, e pior ainda, se envolvem em esquemas milionários pois sabem que nunca serão pegos. Esses sim são os exemplos que as crianças aprendem assistindo à nossa televisão.

É muito fácil culpar a publicidade como malfeitora. Publicidade essa reconhecida internacionalmente como uma das melhores do mundo com vários prêmios em festivais, como Cannes. Mas difícil mesmo é olhar para o seu umbigo e reconhecer os próprios erros. Reconhecer que cabe aos pais determinar ao que os seus filhos devem assistir. Reconhecer que se uma propaganda for de fato abusiva ela deve ser punida pelo CONAR e não censurar deliberadamente a todas as propagandas dirigidas ao público infantil.

De fato as crianças viverão em um país infinitamente melhor sem a publicidade infantil. Já que supostamente somos responsaveis pela corrupção, pela bandidagem, pela manipulação de massa, pela dengue, pela alta nos juros, pelo caixa dois, pela elevada carga de impostos, pela baixa taxa de umidade no ar relativo, pelo projeto de desvio do Rio São Francisco, pela espionagem na F1, pelo rebaixamento do Corinthians etc.

Arderemos no mármore do inferno.

escrito por hugopdionisi


IV Congresso Brasileiro de Publicidade

Após 30 anos chega a edição mais recente do Congresso Brasileiro de Publicidade. O evento aconteceu nos dias 14, 15 e 16 de Julho no World Trade Center em São Paulo, reunindo anunciantes, publicitários, profissionais de veículos e grandes nomes desses meios, entre eles Roberto Civita do Grupo Abril e João Roberto Marinho das organizações Globo.

A principal pauta do congresso foi a liberdade de expressão na comunicação comercial, sendo que durante os três dias de evento houveram 15 reuniões para tratar de temas importantes do cenário publicitário brasileiro.

Ao final do evento no dia 16, o presidente da Associação Brasileira de Propaganda (Abap) Dalton Pastore colocou como principal vitória do congresso a capacidade de ter reunido um grupo expressivo de profissionais gabaritados e atuantes do meio, todos dispostos a discutir em prol do futuro da atividade publicitária no Brasil. Além disso o fechamento do evento foi marcado pela aprovação da Tese Geral do congresso, um levantamento dos pontos mais importantes defendidos por mais de 800 profissionais que o votaram.

Entre os principais pontos levantados pela Tese Geral valem destacar:

  • O IV Congresso incentiva toda a sociedade ao debate sobre a auto-regulamentação da publicidade no âmbito do Conar.

  • O IV Congresso defende a livre iniciativa, a liberdade de escolha do consumidor e a liberdade de expressão comercial.

  • O IV Congresso ressalta a importância fundamental da ética para o reconhecimento social da indústria da comunicação e para sua prosperidade econômica, e recomenda a adoção de um código de conduta único para todas as empresas que a compõem.

Acredito que estes pontos defendidos sintetizam não só interesses de profissionais da área, como também dos cidadãos em geral. Os problemas vindos das tentativas de regulação da publicidade vêm do fato de que elas não promovem o diálogo com quem é mais importante neste processo: o consumidor. Pelo contrário, o poder público opta cada vez mais por proibir e censurar a comunicação, e nessa dinâmica o consumidor é sempre assumido como um indivíduo incapaz de decidir por si mesmo. No entanto, quando você assume que o outro é incapaz de ter suas próprias opiniões, você já está escolhendo por ele.

Segundo João Roberto Marinho, “O cidadão é tratado com tutela, como se fosse incapaz de discernir entre o certo e o errado”, “o exercício da liberdade torna possíveis escolhas mais consistentes. Não há democracia com tutela”. O palestrante Roberto Civita seguiu a mesma linha de Roberto Marinho dizendo que “Existe uma tendência de se culpar a publicidade, em vez de se atacar de frente os verdadeiros problemas da sociedade” e assim o estado se coloca cada vez mais ostensivo em sua legislação. “A publicidade livre e responsável sustenta a liberdade de imprensa, assegura a diversidade das fontes de informação para a sociedade e a difusão de cultura e entretenimento para toda a população”.

Vale lembrar que a edição anterior do evento marcou o surgimento do órgão auto-regulamentador da publicidade, o CONAR, há 30 anos, e desde então ele têm sido um instrumento democrático para a sociedade moderar a produção publicitária. Com este instrumento o público comum se torna um “termômetro” do que é aceitável ou não, e por isso o IV Congresso procurou ratificar sua importância e efetividade como órgão regulamentador.

O debate entre profissionais de propaganda, veículos, anunciantes e entre representantes dos consumidores deve ser muito estimulado, para que órgãos legisladores não avancem cada vez mais os limites da liberdade de ambos os lados. Proibir deliberadamente é privar profissionais de exercerem sua profissão e impor aos cidadãos visões cada vez mais restritas e direcionadas.

escrito por barbaralima



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